Exportações de Petróleo
por Luís Moreira de Sousa

Este artigo é uma primeira e simplista avaliação das Exportações Mundiais de
Petróleo, aqui definas como o total de hidrocarbonetos líquidos excedentários
em países produtores. Esta avaliação é efectuada projectando no futuro taxas
fixas de evolução que reflectem as tendências actuais de produção e consumo nos
países em que a diferença entre os dois é positiva. Os resultados desta
avaliação são preocupantes.
Introdução

Embora aumente o debate em torno do ponto do tempo em que a produção mundial de
petróleo começará a declinar permanentemente, para países ou regiões onde a
produção é nula ou muito baixa, a quantidade de petróleo disponível para
transaccionar no mercado é um aspecto muito mais relevante. Tal é o caso da
União Europeia: com o consumo a ultrapassar 14.5 Mb/d, apenas dois dos seus
estados membros figuram na lista de países exportadores, e ambos com valores
marginais. Mais do que preocupar-se com a data do Pico do Petróleo, os países
importadores devem preocupar-se com a disponibilidade de petróleo
transaccionavel no futuro.
É pois da maior importância para os países importadores conhecerem
antecipadamente esta quantidade de petróleo disponível no mercado e de quais
países/regiões poderá vir, de modo a preparem-se correctamente para o futuro.
Esta avaliação usa como fontes de dados a Revista Estatística Mundial de Energia, publicada
anualmente pela BP, e o
boletim mensal publicado pela ASPO, onde existem avaliações da
produção futura de petróleo para mais de 40 países individualmente. O consumo e
a produção futura são projectados usando taxas de variação estáticas durante o
período que se inicia em 2006 e termina 2020. Estas taxas são determinadas
pelas tendências actuais e pelas avaliações de reservas e futuras descobertas
efectuadas por Colin Campbell e publicadas no boletim da ASPO. Neste texto a
palavra “petróleo" é usado por simplicidade como sinónimo de hidrocarbonetos
líquidos (de origem fóssil), pois os dados históricos para o consumo e produção
incluem os Líquidos do Gás Natural (LGN) – hidrocarbonetos fósseis gasosos que
liquidificam à superfície.
Exportadores de Petróleo

Os países exportadores são definidos como tendo para 2005 valores de produção
de petróleo superiores àqueles de consumo, obtendo assim um excedente. Usando
os dados publicados pela BP na sua Revista Estatística Mundial de Energia, os
países seguintes foram identificados: Arábia Saudita, Antiga União Soviética
(AUS) – existindo dados individualmente para Rússia, Cazaquistão e Azerbeijão –
Noruega, Venezuela, Irão, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, México, Argélia,
Qatar, Canadá, Malásia, Equador, Argentina, Colômbia, Dinamarca, Egipto e Reino
Unido.
Devido à ausência de dados para o consumo, Angola, Nigéria e Iraque ficam de
fora desta primeira avaliação. Este assunto será revisitado no final deste
artigo.
A Figura 1 mostra como estes países se perfilam no mercado mundial de petróleo.
Figura 1 – Países produtores de petróleo identificados para 2005. O conjunto
“Outros" contém todos os países que produziram menos de 400 kb/d. Clique para aumentar.
A revista estatística contém dados históricos de 1965 até ao presente, que são
interessantes de observar:
Figura 2 – Exportações de petróleo no passado para os países em que dados de
consume também existem. Clique para aumentar.
As bem conhecidas crises energéticas do passado aparecem de forma interessante:
as grandes quebras nas exportações surgem depois dos eventos que geraram a
crise. Tal pode ser um sinal de um mercado ditado mais pelo lado da Procura que
pelo da Oferta. É de esperar que esta situação se inverta assim que o pico
mundial de produção de petróleo chegue.
O início da década de 1980 são anos de marcadas dificuldades para os
exportadores, de ambos os lados ricos do Atlântico a produção interna reduziu a
procura (Alasca e o Mar do Norte). Os números de exportação da década de 1970
foram apenas ultrapassados na década de 1990. Esta quebra na procura de
petróleo pode ser uma explicação razoável para o colapso da União Soviética.
Produção Futura de Petróleo

A produção futura de petróleo é projectada aplicando as taxas de
esgotamento/crescimento identificadas por Colin Campbell aos dados publicados
pela BP. Na maioria dos casos os números de das duas fontes para a produção
média diária não coincidem, as projecções de Campbell incidem apenas sobre o
Petróleo Convencional, enquanto que os dados da BP dizem respeito a “Todos os
Líquidos" (que incluem também os Líquidos do Gás Natural). Ainda assim estas
diferenças são geralmente muito pequenas requerendo tratamento especial em
apenas três casos.
Segue-se uma lista dos países avaliados. Junto ao nome do país está o ano em da
avaliação original efectuada por Colin Campbell e destacada a opinião do autor
à altura. Uma breve explicação da taxa usada para projecção segue depois.
Arábia Saudita - 2006
A produção situa-se em 9 Mb/d indicando uma taxa baixa de esgotamento
de 1.9%, que é por si própria razão suficiente para dúvidas das altas
estimativas oficiais de reservas. O país está empenhado em compensar o declínio
natural dos seus campos envelhecidos usando perfuração infill bem como
perfuração horizontal avançada, de modo a trazer à produção as zonas menos
produtivas dos reservatórios. Uma camada de betume sela o flanco leste de
Ghawar privando do influxo natural de água, significando que quanidades imensas
de água têm de ser injectadas. Está também a desenvolver novos campos muito
pequenos, incluindo algumas extensões marítimas. Embora o país afirme ser capaz
de aumentar a produção até 12 Mb/d, pensa-se que é mais provável que seja
pressionado a manter os níveis correntes de produção, que é aqui modelada
permanecendo plana por mais vinte anos antes que o declínio se instale a cerca
de 3% ao ano. Pode nem sequer ser capaz disso.
A produção de petróleo de baixo teor de enxofre (sweet) na Arábia
Saudita provavelmente já passou o seu pico deixando o país em dificuldades
momentâneas para manter os ritmos de produção do passado com petróleo mais
sulfuroso (sour). As reservas declaradas situam-se em 270 Gb, um número
dificilmente com algum significado geológico, dado que o petróleo in situ
(total existente nos reservatórios) é declarado em 720 Gb. Incluindo os 105 Gb
já produzidos, tal implicaria uma taxa de recuperação média acima de 50% para
todo o país. O valor presentemente avançadp por Colin Campbell é de 160 Gb para
as reservas remanescentes, o que provavelmente também é optimista dado que
implica uma taxa de recuperação de 37%, equivalente à aplicação com sucesso de
métodos de recuperação terciários para todo o país. Ainda assim esta última
estimativa é usada, que torna plausível a continuação da produção a ritmos
acima de 11 Mb/d.
Federação Russa - 2003
[Para a Rússia] podemos esperar um segundo pico por volta de 2010. É
claro que as reservas estimadas de 50 Gb, tal como relatadas pelo Oil & Gas
Journal eram muito baixas. Exactamente quanto é difícil de saber, mas
empiricamente favorecemos um número por volta de 60 Gb, ainda assim resultando
numa taxa de esgotamento relativamente baixa de 3%, que é um argumento contra
estimativas mais altas.
A produção subiu rapidamente até 2005 e estagnou a partir daí; um pico por
volta de 2010 a 10 Mb/d continua a ser de esperar.
Cazaquistão - 2005
Pouco se conhece acerca do país para efectuar uma avaliação muito
segura mas as indicações são de cerca de 37 Gb foram descobertos, dos quais 6.6
Gb foram produzidos. As descobertas futuras são aqui avaliadas em 8 Gb,
resultando num total próximo de 45 Gb. Com tais reservas substanciais, o país
terá poucos incentivos para explorar por mais. Se esta aproximação for
correcta, é razoável modelar a produção como subindo até 1.4 Mb/d em 2010
seguindo-se um plano até ao início do esgotamento em 2030.
Esta projecção foi mantida sem alterações.
Azerbaijão – 2004
A produção mantém-se presentemente nos 300 kb/d, muito abaixo da
capacidade possível, que depende da construção de novos oleodutos de
exportação, altura em que poderá triplicar. O ponto médio da exploração é
previsto para volta de 2015, altura em que produção começará a declinar a cerca
de 2.5% ao ano.
Esta projecção foi mantida sem alterações.
Noruega – 2003
A produção de petróleo começou em 1971 e tem crescido pautadamente até
pouco a cima de 3 Mb/d. Cerca de 16 Gb foram já produzidos, o que é próximo de
metade do total descoberto. O pico de produção foi passado em 2001 (excepto
algum pico secundário de novos desenvolvimentos) e será seguido por uma taxa de
declínio relativamente alta de 7%.
De 2004 para 2005 a taxa de esgotamento para a Noruega foi exactamente de 7%.
Venezuela - 2006
[...] a taxa de esgotamento do petróleo Convencional Regular situa-se
a não mais que 2%, sugerindo que a presente avaliação das reservas talvez seja
muito generosa. É aqui assumido que a produção pode ser mantida a 18 Mb/d até
cerca de 2015 altura em que um ligeiro declínio se instalará. Tal como já
mencionado, a Bacia Lesta da Venezuela contém reservas substanciais de petróleo
pesado Não-Convencional, a profundidades entre 500 e 1500m [...] A produção
começou em 1990 e subiu até cerca de 650 kb/d. É aqui assumido que a produção
se mantenha plana até 2015 subindo 3% ao ano até ao pico em 2030, declinanda a
partir daí a 2% ao ano.
Esta projecção foi mantida sem alterações.
Irão - 2003
[…] a produção pode, em termos de recursos, subir até um segundo pico
em 2009 até quase 5 Mb/d antes de entrar no declínio terminal a cerca de 2.6%
ao ano, mas constrangimentos operacionais e de investimento podem evitar que
tal nível seja atingido na prática, com um pico entre 3 e 4 Mb/d sendo talvez
mais provável.
A produção subiu até 4 Mb/d em 2004 e estagnou daí em diante. Com base na mesma
avaliação do recurso esta produção diária pode ser mantida até 2020. Tal como a
Arábia Saudita, as reservas recuperáveis declaradas pelo Irão (130 Gb) têm
estado sobre grande criticismo. Enquanto que a estimativa de Colin Campbell se
situa nos 70 Gb, Samsam Bakhtiari, um perito em reservas e alto responsável
reformado da Companhia Iraniana de Petróleo, declarou este ano que as reservas
recuperáveis se situam por volta de 40 Gb. A projecção aqui usada pode ser
considerada optimista.
Abu Dhabi (EAU) - 2004
A produção de petróleo está em 1.8 Mb/d, e é aqui assumida mantendo-se
plana até ao ponto de médio de produção em 2026, declinando a partir daí a
cerca de 2% ao ano até chagar a 1Mb/d em 2050.
Avaliações para os outros estados que não Abu Dhabi, não existem. A produção
para os EAU tem vindo de facto a estagnar nos últimos anos, o que torna a
avaliação de Colin Campbell bastante plausível.
Kuwait – 2004
Espera-se que a produção do Kuwait suba dos presentes 1.8 Mb/d até um
pico secundário (ponto médio da produção) a 2.7 Mb/d em 2008, antes de entrar
no declínio terminal a cerca de 2% ao ano.
Esta projecção foi mantida sem alterações.
México – 2003
O México é aqui avaliado como sendo capaz de produzir 50 Gb até 2075,
resultando num ponto médio de produção em 1999, catorze anos após o que parece
ter sido um pico prematuro em 1985. A produção situa-se presentemente em 3.2
Mb/d, sendo sujeita a uma taxa de declínio um pouco alta de 5% ao ano.
O México aparentemente só passou o pico secundário em 2004, mas tendo em conta
as insistentes notícias da chegada ao declínio terminal do seu maior campo
(Cantarell), a taxa de declínio de 5% é mantida.
Argélia – 2004
A produção está presentemente em 1 Mb/d e espera-se que suba até um
pico de 1.4 Mb/d em 2006 o ponto médio da produção, antes de cair para cerca de
850 kb/d em 2020 e 300 kb/d em 2050.
A Argélia produz grandes quantidades de LGN, totalizando uma produção de
líquidos de 1.8 Mb/d em 2003 e 2 Mb/d em 2005. A produção futura é modelada com
o valor de Colin Campbell (declínio anual de 3%) para o Petróleo Convencional
adicionando um valor constante de 0.8 Mb/d para o LGN.
Qatar – 2005
Petróleo Convencional Produção 2004 0.78 Previsão 2010 0.53 Previsão
2020 0.27 O país tem vindo a exportar Gás Natural Liquefeito desde algum tempo
e tem planos para expandir grandemente essa capacidade, de modo que se espera
que a produção suba até 1.4 Mb/d em 2011, fazendo do país o maior exportador do
mundo. Várias instalações de conversão de gás para líquidos estão a ser
desenvolvidas por Chevron/Sasol, Exxon, Shell e outros, que se espera venham a
produzir 1 Mb/d dentro de alguns anos. A produção de petroquímicos, incluindo a
maior central de amónia do mundo que abastece nutrientes sintéticos críticos
para agricultura é também de esperar que cresça.
Aumentos de produção na ordem dos 9% foram registados nos últimos anos, os
quais devem continuar até 2011, para além dessa altura é usado um incremento
anual de 3.5%. Líquidos: 2011 1.93 2020 2.67
Canadá – 2004
A produção a partir de Areia Betuminosas, incluindo derivados é aqui
estimada como crescendo dos presentes 1 Mb/d para um plano de 2.6 Mb/d que se
inicia em 2020, num lento processo intensivo de investimento quer de mão de
obra quer de capital, acarretando igualmente custos ambientais.
O Canadá produz aparentemente cerca de 1 Mb/d de LGN, um número que
provavelmente continuará a cair à semelhança do Petróleo Convencional. Mantendo
os números de Colin Campbell para as Areais Betuminosas, a produção total de
líquidos continuará a cair até 2011. Para além desse ano o Crude Sintético
obtido a partir das Areias Betuminosas não só compensará a quebra como
permitirá um crescimento lento da produção total de líquidos para 3.5 Mb/d em
2020.
Malásia – 2005
A produção situa-se em 855 kb/d, que provavelmente é o pico, estando
condenada a cair a 6% ao ano, um valor típico para a exploração marítima. Se
assim for, a produção cairá para 570 kb/d em 2010 e 300 kb/d em 2020.
A taxa de declínio de 204 para 2005 foi de 4.3%; dado ter sido este o primeiro
ano de declínio, o número de Colin Campbell de 6% parece bastante razoável.
Equador – 2003
A produção está agora em 400 kb/d, a capacidade do oleoduto. O pico de
produção tem sido por essa razão algo adiado pelos limites de exportação, não
sendo de esperar até 2004. É provável que em 2020 a produção tenha caído para
250 kb/d e em 2050 para 80 kb/d.
De 2004 para 2005 a produção ainda cresceu 1.1%, o que indica um pico no curto
prazo. Uma nova projecção é feita com uma taxa de declínio de 4% para uma
produção de líquidos de 290 kb/d em 2020.
Argentina - 2003
A produção passou o pico em 1998 caíndo para 750 kb/d em 2002. Tal
significa que a Argentina se tornará um importador em 2010 assumindo que a
procura interna se manterá estável, o que sem dúvida pressionará ainda mais a
economia e a estabilidade financeira do país.
A taxa de declínio tem sido errática desde 1998, sendo uma quebra de 7% de 2003
para 2004 a maior. Daqui em diante o esgotamento é modelado a 6% ao ano,
diminuindo a produção para 290 kb/d em 2020.
Colômbia - 2006
Reflectindo dois grandes ciclos de descobertas, a produção passou o
pico em 1999 a 816 kb/d, no ponto médio de esgotamento. Desde então tem caído
quase 5% ao ano estando agora em 520 kb/d.
O valor de 5% ao ano é mantido para a projecção.
Dinamarca - 2004
A produção interna passou o pico 2002 e caíra a cerca de 7% ao ano.
Um pico final foi atingido em 2004 a 390 kb/d, registando-se uma queda de 3.3%
no ano seguinte. O valor de 7% é aqui usado pois é um número comum no declínio
terminal em campos petrolíferos marítimos.
Egipto – 2003
Produção 2002 0.27 Projecção 2010 0.17 Projecção 2020 0.09 Taxa de
Declínio Presente 5.9% O país tornar-se-á um importador de petróleo dentro de
cerca de 5 anos com a queda da produção doméstica.
Existe uma diferença considerável entre os números de Colin Campbell e os da
BP, quase 500 kb/d; que será essencialmente LGN. A taxa de declínio para os
Líquidos tem sido estável em torno de 4%, sendo esse o número usado para
projecção.
Reino Unido – 2006
A produção actual (2005) de petróleo de 1.8 Mb/d continuará a cair à
taxa actual de 7.5% ao ano, significando que reduzirá a metade em 10 anos.
Os dias do Reino Unido como um exportador de petróleo já terminaram.
Consumo de petróleo futuro

Esta avaliação é tudo menos fácil e é efectuada com alguns riscos. Ao contrário
dos países importadores do ocidente, a maioria dos países analisados
experimentaram profundas mudanças nos hábitos de consumo desde o virar do
século. O consumo futuro é obtido essencialmente projectando as taxas de
evolução registadas nos últimos 3 anos, desde a altura em que os preços do
petróleo começaram a subir. Existe um padrão evidente nestes últimos anos de
crescente afluência nos países exportadores, que na sua maioria estão fora dos
blocos importadores mais ricos (Europa, América do Norte, Japão e Oceânia). A
questão mais difícil de responder é por quanto tempo continuarão estes países o
rápido aumento do consumo.
Arábia Saudita
Depois de um período de crescimento lento durante os anos de preços baixos, o
consumo na Arábia Saudita cresceu acima de 7%/ano durante 2 anos para
estabilizar em 4.7% em 2005. O crescimento futuro é modelado a 4% ao ano.
Figura 3 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Arábia
Saudita.
Federação Russa
O consume de petróleo tem crescido por volta de 1.5% ao ano, com 2004 a ser a
excepção com 2.6%. As receitas extraordinárias da exportação de petróleo
parecem não afectar o consumo no país; o valor de 1.5% é mantido.
Figura 4 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Federação
Russa.
Cazaquistão
Variações erráticas entre crescimento e declínio nos últimos anos tornam a
projecção difícil. É no entanto provável que o valor de 2005 se mantenha por
algum tempo conforme o país ganhe maior afluência como um exportador de
petróleo. O crescimento futuro do consumo é modelado abrandando 1% ao ano de
10% até 5%, altura em que estabiliza.
Figura 5 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Cazaquistão.
Azerbeijão
Depois de dois anos de quedas espectaculares em 2001 e 2002 o país voltou à
vida nos três anos seguintes, crescendo acima de 10% em 2003 e 2005. O
crescimento futuro é modelado a 10% ao ano, pois o Azerbeijão é ainda um pois
pouco desenvolvido.
Figura 6 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Azerbeijão.
Restante da Antiga União Soviética
O consumo nos países restantes é modelado
como crescendo a 2% ao ano.
Noruega
O histórico do consumo mostra anos de crescimento alternados com anos de
contracção; ainda assim a média desde 2001 é positiva. O crescimento futuro do
consumo é modelado a 1.2%/ano.
Figura 7 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Noruega.
Venezuela
Nos últimos cinco anos 2003 mostra claramente uma anomalia, com uma contracção
de quase 20%; sem este ano a crescimento médio foi de 8% ao ano. 2004 pode ser
visto como um ano de correcção da crise antecedente, mas 2001 e 2002 tiveram
números semelhantes, 8% é portanto o valor usado para projectar o crescimento
futuro.
Figura 8 - Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Venezuela.
Irão
Crescimento tem sido estável desde 2000 entre 4% e 7% ao ano, com 2001 a
mostrar-se uma clara excepção. A média desde anos, de 2000 a 2005, excluindo
2001 é 5.75% o que parece ser um valor razoável para usar na projecção.
Figura 9 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Irão.
Emirados Árabes Unidos
Depois de um longo período de declínio o consumo voltou a crescer fortemente em
2001. Desde 2003 as taxas de crescimento têm estabilizado na faixa entre 5% e
6%. A média destes últimos três anos, aproximadamente 5.5% é portanto usada.
Figura 10 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução nos EAU.
Kuwait
Depois de acentuado crescimento no final dos anos 1990 seguiram-se dois anos de
estagnação; de 2002 em diante o crescimento instalou-se novamente com taxas
variando entre 5% e 10% ao ano. A taxa média destes últimos quatro anos, 8%, é
usada para projecção.
Figura 11 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Kuwait.
México
Desde 2002 é observável um padrão de crescimento lento, sendo 2002 uma clara
excepção. A média destes valores desde 2000 ,excluindo 2002, é 1.75% e
apresenta-se como um número razoável para projecção.
Figura 12 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no México.
Argélia
Crescimento estável na faixa entre 3% e 6%, com uma clara excepção de 11% em
2002. O valor médio desde 2000, excluindo 2002, (4%) é portanto usado na
projecção.
Figura 13 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Argélia.
Qatar
Uma nação difícil de modelar, registando taxas de crescimento de 22% para 2001
e 47% para 2002, seguindo-se um abrandamento de 3% em 2003, por sua vez seguido
por fortes aumentos em 2004 e 2005. A produção de petróleo no país continuará a
crescar para além de 2020, daí que um valor alto de crescimento, por volta de
10% seja bastante provável.
Figura 14 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Qatar.
Canadá
Depois de quatro anos com taxas de crescimento acima de 2%, 2005 apresenta-se
como o primeiro ano de declínio em muito tempo. O valor médio para o período de
2001 a 2004 é 3.8%, provavelmente muito alto para a projecção num país de
grande afluência. Ainda assim a produção de petróleo crescerá no país para além
de 2020, tornando plausível o crescimento do consumo, aqui modelado em metade
do observado no período 2001 – 2004.
Figura 15 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Canadá.
Malásia
Anos de crescimento alternaram com anos de contracção numa nação já em declinío
terminal de produção. O consumo futuro é modelado como decrescendo 2% ao ano,
ainda assim a Malásia deixará de ser um exportador antes de 2020.
Figura 16 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Malásia.
Equador
Depois de um decréscimo em 2002, o crescimento voltou nos anos seguintes
mantendo-se acima de 3%. A média destes últimos 3 anos, aproximadamente 4%, é
então usada.
Figura 17 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Equador.
Argentina
Tal como para muitos dos outros exportadores menos desenvolvidos, um período de
declínio é seguido por outro de forte crescimento de 2003 em diante. O
crescimento futuro é modelado em 5%, reflectindo estes últimos anos.
Figura 18 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Argentina.
Colômbia
O país experimentou um ligeiro crescimento do consumo nos três anos passados,
apesar das elevadas taxas de declínio na produção. O consumo futuro é
projectado crescendo 1.5% ao ano, um número próximo da média dos últimos três
anos.
Figura 19 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Colômbia.
Dinamarca
2005 parecer ser um ano excepcional para o país, o primeiro em que o consumo
não diminuiu desde 1996. O bom aluno é projectado como mantendo o bom trabalho
decrescendo o consumo 3%/ano em linha com a taxa observada no período de 2000 a
2004. Tal mantém a Dinamarca como exportador marginal de petróleo para além de
2020.
 Figura 20 –
Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução na Dinamarca.
Egipto
Um país que ilustra perfeitamente o crescimento da afluência nos exportadores
menos ricos. Após três anos de declínio o consumo voltou a crescer, passando os
8,5%, em 2005. A média destes três últimos anos (5%) é usada para 2006, ano
para além do qual o Egipto deixa de ser exportador, tendo que a partir daí
provavelmente adaptar o consumo à produção interna.
Figura 21 – Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Egipto.
Reino Unido
Apesar de registar um período de três anos de crescimento de consumo acima de
1%, o Reino Unido é uma carta fora do baralho dos exportadores.
Figura 22 - Consumo de petróleo e respectivas taxas de evolução no Reino Unido.
Exportações de Petróleo futuras

O resultado final pode ser observado na Figura 23, obtido subtraindo o consumo
projectado da produção projectada para cada país. Assim que um país deixa de
ser exportador é daí em diante retirado do total. Os países que abandonam o
grupo de exportadores são: Reino Unido em 2006, Egipto em 2007, Argentina em
2010, México em 2015, Malásia em 2019 e Colômbia também em 2019.
Figura 23 – Exportações de Petróleo totais para os países avaliados, incluíndo
as projecções para o período de 2006 a 2020. Clique para aumentar.
O gráfico da Figura 23 mostra um cenário muito claro: o total de exportações
dos países avaliados declina daqui em diante para nunca mais recuperar. A taxa
de declínio cresce com o tempo, tal como mostra a Figura 24:
Figure 24 – Exportações de Petróleo totais e taxas de evolução para os países
avaliados, incluindo as projecções para o período de 2006 a 2020. Clique para aumentar.
As taxas de declínio resultantes das projecções nunca são superiores às
observadas durante o início da década de 1980, ainda assim em 15 anos o total
de exportações cai quase 40% de 36.2 Mb/d para 23 Mb/d. Este período que se
avizinha poderá não ter muito em comum com as crises vividas nos anos de 1970 e
1980, mas se a recessão económica se instalar nos países importadores, períodos
de forte quebra poderão existir, seguidos de períodos de recuperação. É
importante observar de perto este período na Figura 25.
Figura 25 –
Taxas de declínio nas exportações totais para os países avaliados durante o
período de 2006 a 2020.
Quatro períodos distintos podem ser identificados:
-
2006 – 2010: declínio lento abaixo de 2%/ano;
-
2011 - 2013: primeira aceleração para uma taxa acima de 3.5%/ano;
-
2014 - 2017 : declínio estável entre 3.5%/ano e 4%/ano;
-
2018 – 2020 : nova aceleração em direcção a 4.5%/ano.
A primeira aceleração é provavelmente o período mais crítico e sucede ao pico
mundial de produção de petróleo. Os final da década de 2010 apresentará grandes
desafios para os países importadores de petróleo.
Por fim vale a pena mencionar que estes quatro períodos parecem encaixar nas
Quatro Transições de Samsam Bakhtiari, das quais a primeira terá
começado o ano passado.
Países importantes não avaliados

São três os países para os quais dados sobre o consumo não existem e portanto
deixados de fora dos cálculos: Angola, Iraque e Nigéria. Para os últimos dois
mesmo que esses dados existissem qualquer projecção seria difícil. Ambos os
países têm experimentado perturbações sociais sérias, o Iraque atravessa aquilo
que é tecnicamente uma guerra, na Nigéria a fraca equidade social está a levar
a que pessoas para quem o petróleo só trouxe desvantagens se revoltem. Alguma
forma de transformação social é de esperar nestes países nos próximos anos,
esperançosamente para ambientes mais estáveis.
Quanto a Angola os tempos de turbulência social parecem idos, se bem que ainda
estão por realizar eleições, desta feita a oposição liberal parece estar
desarmada. Em 2003 os 5 milhões de angolanos consumiram pouco mais que 40 kb/d.
Hoje esse número é desconhecido mas será certamente muito superior, talvez
algumas ordens de magnitude, devido à explosão do mercado da habitação e a um
espectacular aumento da população (a relatos de 1 milhão de chineses a viver só
em Luanda). A última avaliação feita por Colin Campbell adiantou o pico de
Angola para 2011 (de 2018), mais em linha com outros especialistas. Incluindo
as exportações de Angola não mudaria portanto muito no cenário global aqui
delineado, abrandando o declínio até 2011 e aumentando-o daí em diante. De
qualquer modo Angola é um exportador importante que deve ser avaliado se dados
de consumo vieram estar disponíveis no futuro.
Conclusões

As projecções aqui delineadas deve ser tomadas na devida conta, não é de
esperar que o futuro siga exactamente os padrões identificados. Mas observando
estes números algumas tendências emergem claramente, sendo a mais importante o
declínio de 2005 em diante da quantidade de petróleo que chega ao mercado. Esta
situação é consequência do crescimento do consumo a um ritmo superior ao da
produção na maioria dos países exportadores de petróleo.
Assim que o volume de petróleo disponível para exportação se torna inferior
àquele requerido pelos países importadores os preços sobem, provocando uma
transferência anormal de riqueza dos compradores para os vendedores. Esta recém
adquirida riqueza irá por seu turno aumentar a afluência nos países
exportadores, que por sua vez aumenta o consumo interno (melhores automóveis,
casa melhores e mais afastadas do local de trabalho, mais importações de bens e
respectivo transporte, etc.). Este ciclo irá perpetuar-se até que algum evento
ou constrangimento abrande o consumo do lado dos exportadores ou até que os
importadores colapsem por incapacidade de produzir mais riqueza para
transferir. O último destes é o cenário mais provável.
Para países importadores de petróleo como a UE estas projecções trazem uma
conclusão preocupante: estratégias de mitigação da escassez de petróleo deviam
ter começado a ter efeito em 2005. Para que tal tivesse acontecido, o
planeamento deveria ter começado nos final da década de 1980 o no início da
década de 1990. Se bem que para o sector eléctrico existam programas de
substituição dos hidrocarbonetos quer na UE, nos EUA ou na Austrália, nenhum
destes países aparenta ter-se preparado para substituir o petróleo no sector
dos transportes. No caso da UE é também importante notar a ausência de um plano
para substituir a geração eléctrica Nuclear, dada a sua estagnação em função da
opinião pública negativa, mas que é presentemente uma importante fonte de
energia em alguns estados membros.
Finalmente outra consequência deve ser observada: infelizmente, tal como
proposto originalmente por Colin Campbell, o
Protocolo de Esgotamento só funcionará se os países exportadores
retiverem o seu consumo de petróleo. Até à época do Pico do Petróleo, o
Protocolo poderá funcionar se os países exportadores acertarem o seu consumo
com a evolução da produção, congelando o volume de petróleo que aflui ao
mercado. Depois do Pico do Petróleo estes países teriam de diminuir o seu
consumo interno de modo a que a taxa de declínio na produção mundial igualasse
a do consumo mundial. É difícil de imaginar países menos favorecidos a reduzir
o seu consumo de modo a fornecer petróleo a países mais ricos.
Esperemos pelo melhor.
Agradecimentos

Aos editores do sítio web TheOilDrum.com por permitirem a publicação de uma
versão preliminar deste artigo.
A Colin Campbell, pelo seu trabalho de longa data sobre o Pico de Hubbert, do
qual fazem parte as avaliações país a país de inestimável valor e sem as quais
este artigo não seria possível.
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