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Se os avaliadores anteriores concordam em geral na posição relativa do MO,
tendem a discordar nas estimativas concretas quer das reservas globais quer das
do MO.
Reservas do Médio Oriente
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| País | Oil & Gas Journal | BP Statistical Review | Colin Campbell | Intervalo deste autor |
| Irão | 132.5 | 132.5 | 69.0 | 35 – 45 |
| Iraque | 115.0 | 115.0 | 61.0 | 80 – 100 |
| Kuwait | 101.5 | 99.0 | 54.0 | 45 – 55 |
| Arábia Saudita | 264.3 | 262.7 | 159.0 | 120 – 140 |
| Emirados Árabes Unidos | 97.7 | 97.8 | 44.0 | 40 – 50 |
| TOTAL | 711.0 | 707.0 | 387.0 | 320 - 390 |
Enquanto que Oil & Gás Journal e a BP confiam nos números ‘oficiais’ publicados (que são usualmente inflacionados e altamente políticos), o Dr. Campbell tem baseado as suas estimativas em evidências geológicas. Em consequência, ele corta mais ou menos pela metade os números ‘oficiais’. No computo geral, as suas estimativas são as melhores disponíveis mundialmente e provaram o seu valor no meu modelo Capacidade Mundial de Produção de Petróleo - WOCAP (do inglês 'World Oil Production Capacity').

No caso específico do Kuwait, os números do Dr. Campbell foram recentemente
confirmados, quando a Petroluem Intelligence Weekly (20 de Janeiro) relatou que
um alto responsável petrolífero do Kuwait deu a entender que as reservas do
país se cifram em ‘apenas’ 48 Gb – em claro contraste com os 99 Gb declarados
oficialmente. Esta nova estimativa surge do somatório das seguintes reservas:
• Campo de Burgan : 20 Gb.
• Campos do Norte : 17 Gb.
• Campos do Oeste : 8.5 Gb.
• Zona Neutra : 2.5 Gb [para uma partilha de 50%]
Indubitavelmente este corte pela metade das reservas do Kuwait é uma revisão
bem vinda, e todos os outros produtores do MO deviam ser encorajados a fazer o
mesmo.

O caso saudita foi magistralmente exposto por Matthew Simmons no seu livro “Twilight in the Desert”, e a estimativa de 159 Gb do Dr. Campbell parece bem mais realista que a oficial de 260 Gb. A minha opinião fica ainda abaixo disso – mais ou menos a meio dos valores oficiais.

Quanto ao Irão, os 132 Gb oficiais usualmente aceites estão quase 100 Gb acima de qualquer avaliação realista. Se o valor inflacionado oficial fosse verdadeiro, a sua industria petrolífera não se bateria dia a dia por manter a produção entre 3.0 e 3.5 milhões de barris por dia (incluindo a exploração marítima no Golfo Pérsico).

Ao contrário da minha estimativa para o Irão, que é inferior à do Dr. Campbell , a do Iraque é marcadamente superior. As razões desta divergência são duas: 1. Os onze campos iraquianos que aguardam desenvolvimento, liderados pelos três gigantes de ‘Majnoun’, ‘West Qurna II’ e ‘Nahr Umar’. 2. O quase intocado ‘Deserto Ocidental’ que pode revelar grandes surpresas – baseando-me na teoria da ‘Ferradura Dourada’ sobre a qual escrevi no Oil & Gas Journal (7 de Julho de 2003).

Sem menosprezar a importância das reservas de petróleo convencional, os seus
dias podem estar contados (tanto no MO como no resto do mundo).
As estimas das reservas de petróleo foram úteis na era anterior ao ‘Pico do
Petróleo’. Mas na ressaca do grande Pico (como por exemplo no presente período
da ‘Transição Um’), tendem a tornar-se obsoletas e pouco úteis, à medida que as
análises e estimativas campo-a-campo se tornarem padrão (eg. Ghawar,
Cantarell). Então não demorará muito até que tenhamos de dizer adeus a todas
estes fantásticos números de reservas e mandemos o ficheiro inteiro das
reservas para o grande ‘caixote-do-lixo da história’.
Tradução: Luís de Sousa